Prevenção Quaternária

A Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser o ponto organizador dos sistemas de saúde, com responsabilidade por todos os níveis tradicionais de prevenção – primária, secundária e terciária. Um nível adicional, o conceito de prevenção quaternária, nomeia a preocupação em prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias, reduzindo danos, por meio de técnicas e práticas qualificadas e personalizadas de cuidado – tem, portanto, íntima relação com o trabalho em atenção primária, em especial nos aspectos relacionados ao sobrediagnóstico.
Muitos fatores estão levando ao sobrediagnóstico, incluindo interesses comerciais e profissionais, incentivos legais e questões culturais, uma vez que testes cada vez mais sensíveis estão detectando “alterações” cada vez menores, que nunca vão progredir, alargando as definições das doenças e reduzindo os limiares de tratamento, disseminando a ideia de que estar sob o risco de doença é ter a doença em si.
O conceito de prevenção quaternária, criado por Marc Jamoulle, médico de família belga, em meados de 1986, foi incorporado pela World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians (WONCA). O termo nomeia a preocupação em prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias, reduzindo danos, por meio de técnicas e práticas qualificadas e personalizadas de cuidado.
O meio mais eficaz de se atingir a prevenção quaternária seria: ouvir melhor nossos pacientes, para adaptar o sanitariamente possível ao individualmente necessário e desejado, tornando esse conceito parte fundamental no atendimento e, como efeito secundário desejável, que ocorra uma redução considerável dos custos nos atendimentos na atenção primária à saúde pelo não tratamento preventivo de doenças que não causariam sintomas ou morte.
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FONTE: Rev. enferm. UFPE on line; 10(4): 3608-3619, set.2016. ilus

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