Exame de Humanidade para os profissionais da saúde

O livro “o doente imaginado” de Marco Bobbio, fala sobre diversas questões sobre paciente, doença e o profissional da saúde que neste livro fala do médico, mas que pode ser relacionado a qualquer outro profissional da saúde.
Esse livro nos remete a algumas reflexões, a frase de Sir William (1849-1919) “É mais importante conhecer o paciente acometido por uma doença do que a doença que acometeu um paciente” frase que deve ser colocada na nossa prática clínica como fisioterapeuta, onde os pacientes chegam as clínicas e consultórios, com seus diagnósticos, “rótulos patológicos”, ( tendinopatia, lombalgia, lesão meniscal, pós operatório de L.C.A, A.V.C e outros) e esquecemos de ver, que atrás deste rótulo existe uma pessoa com toda bagagem psicossocial, que pode estar utilizando destes rótulos patológicos para expressar algo maior que deve ser investigado através de uma avaliação clínica onde se possa ter tempo para escutar o paciente.
Um caso clínico que aconteceu na minha prática clínica que exemplifica esta situação, foi de uma paciente chegou ao meu consultório com diagnóstico de tendinopatia calcárea e tratando a mesma a 1 ano, com dois exames de imagem R.M e U.S confirmando o rotulo patológico. Mais durante o processo de avaliação clínica observou-se que a história do paciente junto com a avaliação física não tinha relação com o rótulo patológico que a mesma adentrou na clínica. Desta forma observamos que a mesma apresentava uma clínica para outro rótulo patológico, “OMBRO CONGELADO” e a mesma começou a ser tratada, começou a apresentar melhoras, mas algum tempo depois começou a piorar, encaminhei a mesma para realizar uma avaliação com outro profissional da saúde médico ortopedista, para observar uma outra forma de intervenção e confirmação do “rotulo”, a qual foi confirmada e sugerida manter a conduta.
Ao voltar para continuar o tratamento tentei entender um pouco mais o paciente e menos a doença, onde identificamos fatores psicossociais que estavam influenciando em seus sintomas. A mesma foi encaminhada a outra profissional da saúde, uma psicóloga, e de forma conjunta com o tratamento fisioterapêutico começou a apresentar bons resultados. Termino este texto com a frase que comecei, “É mais importante conhecer o paciente acometido por uma doença do que a doença que acometeu o paciente”.

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