ARTIGOS

Dor no joelho pode ser muito mais que isso!

Toda lesão e apresentada ao clínico como uma história infantil, onde o paciente relata o início da dor, o local da dor, o que faz piorar a dor, o que faz aliviar a dor, a quanto tempo tem a dor e todas a características dela. Isso é literalmente o corpo falando. Esse relato é feito pelo paciente para que possa ser interpretada a sua história como uma brincadeira de adivinhação.

O processo de raciocínio clínico como falado anteriormente pode ser comparado a uma “brincadeira“ de adivinhação que precisa ser comprovada com os testes físicos e se necessário com exames complementares que muitas vezes parecem exames definitivos.

Vamos tentar exemplificar: Alguém começa a contar uma história onde existe uma menina que está caminhando na floresta, de roupa vermelha, com um cesto na mão. Qual o nome dessa história? Chapeuzinho Vermelho! Isso mesmo, boa interpretação.

Um paciente começa a falar, tenho uma dor no joelho, já faz 6 meses, não lembro de nenhum trauma ou contusão, essa dor é em todo joelho, sinto dor quando vou fazer alguns exercícios de musculação, quando viajo muito de carro a dor aumenta, até parece uma dor de cabeça, dói o dia inteiro, quando vou caminhar distâncias maiores também incomoda. O joelho nunca ficou inchado, qual é o problema deste paciente? Coluna lombar! Isso mesmo, boa interpretação.

Essa história é de um paciente que chegou para consultar, apresentando um exame complementar ou definitivo de Ressonância magnética mostrando alterações em algumas estruturas do joelho, onde através de um processo de avaliação e testes físicos observamos que a sua dor era uma irradiação da coluna lombar, foi realizado a intervenção obtendo melhoras do sintomas.

O clínico precisa fazer melhor as perguntas, para que possamos extrair as melhores respostas, e entender melhor a causa do problema do paciente.
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Exame de Humanidade para os profissionais da saúde

O livro “o doente imaginado” de Marco Bobbio, fala sobre diversas questões sobre paciente, doença e o profissional da saúde que neste livro fala do médico, mas que pode ser relacionado a qualquer outro profissional da saúde.
Esse livro nos remete a algumas reflexões, a frase de Sir William (1849-1919) “É mais importante conhecer o paciente acometido por uma doença do que a doença que acometeu um paciente” frase que deve ser colocada na nossa prática clínica como fisioterapeuta, onde os pacientes chegam as clínicas e consultórios, com seus diagnósticos, “rótulos patológicos”, ( tendinopatia, lombalgia, lesão meniscal, pós operatório de L.C.A, A.V.C e outros) e esquecemos de ver, que atrás deste rótulo existe uma pessoa com toda bagagem psicossocial, que pode estar utilizando destes rótulos patológicos para expressar algo maior que deve ser investigado através de uma avaliação clínica onde se possa ter tempo para escutar o paciente.
Um caso clínico que aconteceu na minha prática clínica que exemplifica esta situação, foi de uma paciente chegou ao meu consultório com diagnóstico de tendinopatia calcárea e tratando a mesma a 1 ano, com dois exames de imagem R.M e U.S confirmando o rotulo patológico. Mais durante o processo de avaliação clínica observou-se que a história do paciente junto com a avaliação física não tinha relação com o rótulo patológico que a mesma adentrou na clínica. Desta forma observamos que a mesma apresentava uma clínica para outro rótulo patológico, “OMBRO CONGELADO” e a mesma começou a ser tratada, começou a apresentar melhoras, mas algum tempo depois começou a piorar, encaminhei a mesma para realizar uma avaliação com outro profissional da saúde médico ortopedista, para observar uma outra forma de intervenção e confirmação do “rotulo”, a qual foi confirmada e sugerida manter a conduta.
Ao voltar para continuar o tratamento tentei entender um pouco mais o paciente e menos a doença, onde identificamos fatores psicossociais que estavam influenciando em seus sintomas. A mesma foi encaminhada a outra profissional da saúde, uma psicóloga, e de forma conjunta com o tratamento fisioterapêutico começou a apresentar bons resultados. Termino este texto com a frase que comecei, “É mais importante conhecer o paciente acometido por uma doença do que a doença que acometeu o paciente”.

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Como entender as variações de sintomas musculoesqueléticos!

O paciente com sintoma musculoesquelético apresenta variações no comportamento dos sintomas.

Vamos dar um exemplo de uma paciente com dor lombar, esse paciente passa por períodos: estável onde consegue realizar suas atividades mais sente algumas limitações, outro momento ele está muito bom como se a dor lombar nunca tivesse acometido, outro momento piorando com desânimo e dificuldade de realizar as atividades diárias, outro momento crise com a sensação que nunca mais vai voltar a fazer nada, outro momento melhorando uma luz no fim do túnel e começa um novo ciclo.

A compreensão deste processo por parte do profissional e do cliente é muito importante. Este processo nos mostra que o paciente deve ser ensinado como gerenciar os seus sintomas qual deve ser a melhor conduta em cada fase do Eletro musculoesquelético. Muito obrigado e até o próximo tema!

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Aprenda a escolher como resolver o seu problema!

Quando você recebe um diagnóstico, e o profissional aponta para uma forma de tratamento, você deve questionar a existência de outras formas de intervenção. Dentro da pirâmide do conhecimento observamos níveis de decisão em saúde.

Se você tem osteoartrose de joelho com ou sem lesão meniscal e possui idade entre 30 e 60 anos a opção não cirúrgica é a melhor opção de tratamento, ou você é jovem e ativo fisicamente e teve uma lesão do ligamento cruzado anterior, a opção cirúrgica seria a melhor opção.

Essas duas informações não são baseadas na opinião do profissional que está escrevendo este artigo mais sim em dados científicos que neste caso são duas revisões sistemáticas.

A opinião do especialista, que seria a opinião do profissional que está propondo uma opção terapêutica, precisa ser justificada não apenas pela sua experiência, mas com bons trabalhos científicos mostrando que podem existir outros caminhos e fazer valer os valores do paciente na decisão.

Espero ter ajudado a você a entender um pouco mais sobre como tomar decisão em saúde, deixando de ser um paciente para ser um consumidor em saúde.
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Dor na lombar pode ser culpa do salto alto?

Pesquisadores do instituto de Biomecânica de Zurique na suíça realizaram um estudo clínico randomizado dividindo em três grupos: • Descalço
• Salto baixo 4 cm
• Salto alto 10 cm
Foram utilizadas 22 câmeras com análise dinâmica 3D, e observou as mudanças posturais na pelve, coluna lombar e torácica. Mostrando não ter diferença estatística nos parâmetros avaliados. Teve um dado em relação ao salto alto, que a lordose lombar houve uma redução no seu ângulo, contradizendo alguma especialista que relatam que o aumento da lordose lombar com o uso do salto alto poderia ser umas das causas. Este artigo não tem como finalidade culpar ou absolver o salto alto como umas das causas de dor lombar. Mas queremos colocar que necessita de mais estudos para justificar a causa/efeito de dor lombar e salto alto. E deixamos como conclusão que cada mulher que utilize o salto alto e considera ele como causa da sua dor lombar, tente primeiro melhorar a sua postura na posição sentada no sofá, trabalho, carro e cuide da sua postura na sua cama, pois muitas vezes se utilizamos da cama para ver televisão, utilizar celular, computador e por último dormir. E procure um profissional para entender melhor o seu problema. Querer justificar de forma simplória e única o uso do salto alto como a sua causa de dor lombar é mito.

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Ciatalgia x Doença arterial Periférica (DAP)

Os sintomas de ciatalgia e DAP (doença arterial obstrutiva periférica) são semelhantes e podem gerar confusão ao construir o diagnóstico. Por isso quero voltar ao tema do vídeo anterior sobre prevenção quaternária.

Chegou ao meu consultório um “paciente” com diagnóstico de ciatalgia e junto uma Ressonância magnética confirmando esse diagnóstico por compressão do disco (hérnia de disco).

Ao ouvir a história dos sintomas do paciente, que referia dor quando caminhava alguns metros, e que essa distância estava se encurtando com o passar do tempo devido a intensidade dos sintomas, e que sentado ou deitado não tinha dor, não tinha perda de movimento na coluna lombar, não tinha dor ao movimentar a coluna lombar e testes neurológicos negativos. A pergunta que devo fazer: Os sintomas desse paciente vêm do nervo ciático? NÃO, este paciente foi encaminhado a um médico vascular, que resolveu o seu problema.

Este paciente estava com DAP (doença arterial periférica) e sofrendo desse problema a pelos menos 5 anos. Realizando várias consultas e exames, consumiu uma quantidade considerável de medicação anti-inflamatórias e analgésicas, sendo ele já transplantado renal. O termo prevenção quaternária se encaixa muito bem nesse caso, onde o paciente teve um excesso de medicalização e exames excessivo, sendo que o mesmo precisava sim, de alguém que ouvisse a sua história.

Como consumidores em saúde temos que exigir que ao procurar um profissional da saúde, ele possa ouvir a nossa história clínica e juntos construir um diagnóstico, reduzindo o risco do overdiagnóstico.

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Prevenção Quaternária

A Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser o ponto organizador dos sistemas de saúde, com responsabilidade por todos os níveis tradicionais de prevenção – primária, secundária e terciária. Um nível adicional, o conceito de prevenção quaternária, nomeia a preocupação em prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias, reduzindo danos, por meio de técnicas e práticas qualificadas e personalizadas de cuidado – tem, portanto, íntima relação com o trabalho em atenção primária, em especial nos aspectos relacionados ao sobrediagnóstico.
Muitos fatores estão levando ao sobrediagnóstico, incluindo interesses comerciais e profissionais, incentivos legais e questões culturais, uma vez que testes cada vez mais sensíveis estão detectando “alterações” cada vez menores, que nunca vão progredir, alargando as definições das doenças e reduzindo os limiares de tratamento, disseminando a ideia de que estar sob o risco de doença é ter a doença em si.
O conceito de prevenção quaternária, criado por Marc Jamoulle, médico de família belga, em meados de 1986, foi incorporado pela World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians (WONCA). O termo nomeia a preocupação em prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias, reduzindo danos, por meio de técnicas e práticas qualificadas e personalizadas de cuidado.
O meio mais eficaz de se atingir a prevenção quaternária seria: ouvir melhor nossos pacientes, para adaptar o sanitariamente possível ao individualmente necessário e desejado, tornando esse conceito parte fundamental no atendimento e, como efeito secundário desejável, que ocorra uma redução considerável dos custos nos atendimentos na atenção primária à saúde pelo não tratamento preventivo de doenças que não causariam sintomas ou morte.
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FONTE: Rev. enferm. UFPE on line; 10(4): 3608-3619, set.2016. ilus

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Consumidores em saúde ou pacientes

O processo de transformação que vivemos atualmente nos coloca a realizar reflexões constantes, o que antes se entedia como verdade ficava, às vezes, anos imutável. Nos dias atuais este entendimento de verdade que temos sobre uma determinada conduta pode ser mudado muito rapidamente, pois a quantidade de publicações científicas na área da saúde, que é aproximadamente de 1 milhão por ano, mais as publicações em mídias sociais e outros veículos de comunicação, publicadas diariamente em uma velocidade absurda, nos coloca em outro patamar. Muitas vezes estas informações científicas ou não, tem sua qualidade questionável ou muitas vezes essas informações são tendenciosas com um risco de viés, impulsionado por vários fatores, como o fator econômico. Nós, profissionais da saúde, precisamos nos relacionar de forma diferente com os que nos procuram. Estes hoje são muito mais consumidores em saúde do que pacientes. Precisamos dialogar e sempre colocar os caminhos para aquela demanda apresentada.

O termo consumidor aplica-se a qualquer pessoa que use ou seja afetada, pelo serviço relacionado à saúde. Um consumidor em saúde é alguém que se preocupa em tomar decisões sábias de cuidados em saúde, seja o indivíduo, membro da família ou cuidador.

O objetivo deste artigo é desenvolver nas pessoas uma consciência de consumidores em saúde, significa que os consumidores devem ser jogadores ativos no processo de tomada de decisão da maneira mais efetiva possível.

Existem maneiras para você se envolver e se tornar mais eficaz no consumo em saúde. Existem centros de saúde como Arthritis Society of Canada, Arthritis Victoria in Australia e Ottawa Health Research Institute que auxiliam na tomada de decisão, oferecendo resumos científicos com uma linguagem mais próxima do consumidor.

Caso você ou alguém que você conheça, sofre de algum problema na área musculoesquelética, ortopédica ou traumatológica e precise tomar uma decisão sobre diagnóstico ou tratamento ou alguma forma de prevenção, estamos dispostos a ajudar você a tomar a melhor decisão.

Fonte: http://musculoskeletal.cochrane.org/resources-patientsconsumers

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Exercícios para osteoartrose de joelho

A osteoartrose é uma doença articular, não apenas uma doença da cartilagem, as estruturas articulares são afetadas. Existe um crescimento ósseo para tentar reparar a lesão,um processo de enfraquecimento das estruturas ligamentares, tendinosos e musculares que envolvem a articulação.

Vamos abordar hoje uma Revisão Sistemática que selecionou 54 estudos clínicos randomizados com 3913 participantes classificados com osteoartrose leve ou moderada.

Foram utilizados estudos realizados em solo e que realizavam algum tipo de comparação com exercícios na agua, não tratamento ou não exercício.

Foram analisados os desfechos: • Dor
• Função
• Qualidade de Vida

Estes três desfechos foram analisados após cada atendimento, após o final do estudo e após 2 e 6 meses pós término.

Dos 54 estudos, 19 foram classificados com baixo risco de viés, 8 estudos demostram que alguns participantes tiveram piora de dor no joelho e lombar, mais nenhum teve efeito adverso sério, 44 estudos demostraram efeitos positivos imediatos pós exercícios, 10 estudos acompanharam por 2 e 6 meses por término dos estudos e observaram a sustentabilidade dos efeitos positivos.
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FONTE:
Fransen M, McConnell S, Harmer AR, Van der Esch M, Simic M, Bennell KL. Exercise for osteoarthritis of the knee. Cochrane Database of Systematic Reviews 2015, Issue 1. Art. No.: CD004376. DOI: 10.1002/14651858.CD004376.pub3
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Dores no ombro: luxação acromioclavicular

O deslocamento acromioclavicular é uma das lesões mais comuns dos problemas que acometem o ombro.

Foi realizado uma revisão sistemática (RS) sobre os efeitos da intervenção cirúrgica versus a não cirúrgica, para o tratamento das luxações acromioclavicular em adultos.

Foram feitas pesquisas (ECR) nos bancos de dados: Cochrane boné, joint e muscle até fevereiro de 2009, na central Cochrane de registro de ECR até fevereiro de 2009, Medline de 1966 até 2009, Embase de 1988 até fevereiro de 2009, Lilacs 1982 até fevereiro de 2009.

A conclusão dos autores é que existe evidências insuficientes quando o tratamento cirúrgico deve ser indicado para o deslocamento acromioclavicular. Os autores desta revisão entendem a necessidade de mais estudos clínicos randomizados para responder esta questão.

Desta forma temos que fazer as seguintes perguntas quando não temos evidências suficientes para responder uma determinada questão: Qual a intervenção gera menor dano? Menor risco de sofrimento? Menor custo? É corrente prática clínica?
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1: Tamaoki MJ, Belloti JC, Lenza M, Matsumoto MH, Gomes Dos Santos JB, Faloppa F.Surgical versus conservative interventions for treating acromioclaviculardislocation of the shoulder in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2010 Aug 4;(8):CD007429. doi: .1002/14651858.CD007429.pub2. Review. PubMed PMID: 20687087
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